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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Chegou o verão!

                                                   Pintura de Van Gogh
XXII

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


 “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial da Floresta / Dia Mundial da Poesia

A uma árvore amiga

De muito pequenina te conheço.
Lembras-te de brincarmos ao crescer?
Tu me ganhavas sempre, que mais baixa
fiquei eu sempre sendo, de assim ser.

De muito amedrontada te conheço.
Lembras-te das geadas e dos frios?
Eu te ganhava sempre que fugindo
em casa aconchegava os arrepios.

De muito pequenina te conheço.
E se algum dia me esquecer de ti,
é de mim que me esqueço.

      Maria Alberta Menéres

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia Mundial da Mulher

Sugestão de leitura:

O espírito

Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí me espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Natália Correia

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Era uma vez... o vento



Era uma vez… o vento
cuja história começou há muito, muito tempo
quando começou a história do ar
pois o vento não é mais
do que ar em movimento.

         Regina Gouveia





Este foi o poema escolhido para ler, analisar e ilustrar durante o mês de janeiro na Biblioteca da EBA durante a hora do almoço.
Todas as turmas tiveram oportunidade de contactar com os livros da escritora Regina Gouveia, ler o texto, construir um moinho de vento e compor vários painéis com as figuras elaboradas.

Regina Gouveia é licenciada em  Físico-Químicas e é autora de livros e textos em que interliga a poesia e a ciência que divulga entre os mais jovens.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Feliz Ano Novo



ANO NOVO NA COR DA PAZ

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido).

Para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior).

Novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
                            Carlos Drummond de Andrade



domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz Natal!

Presépio Biblioteca EBA

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei.

                                               Fernando Pessoa


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Um dia com... José Fanha

No dia em que veio à Biblioteca Escolar, 21 de outubro, José Fanha, falou das suas histórias, da sua vida, da sua experiência e encantou todos os presentes com as suas palavras e  boa disposição. Em todas as sessões deixou transparecer o seu amor pela poesia e incentivou os alunos a lerem e a sentirem o prazer de ler.

Aqui ficam algumas sugestões de livros do autor que podem ser requisitadas na Biblioteca Escolar:

 

















sábado, 20 de agosto de 2016

No verão...

As ondas

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e a espuma
Do mar que cantava só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen


terça-feira, 22 de março de 2016

Eco-poemas 2016

Este ano, a atividade Eco-poemas foi diferente e especial porque promoveu a reutilização de materiais.
Assim, os alunos das turmas de 5º e 6º anos recolheram caixas de cereais vazias que entregaram na BE e com elas construíram bonitas flores. Com a colaboração do professor de Português pesquisaram poemas sobre a natureza e ambiente com que ilustraram os seus trabalhos que estão expostos no corredor do bloco A.
Esta atividade resulta de uma parceria entre a Biblioteca Escolar e o Programa Eco-Escolas com o objetivo de sensibilizar os jovens para a importância da educação ambiental.


 
 
 

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher

Sozinha no bosque
com os meus pensamentos,
calei as saudades,
fiz trégua a tormentos.

Olhei para a lua,
que as sombras rasgava,
nas trémulas águas
seus raios soltava.

Naquela torrente
que vai despedida
encontro, assustada,
a imagem da vida.

Do peito, em que as dores
já iam cessar,
revoa a tristeza,
e torno a penar.

               Marquesa de Alorna
  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mensagem

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas

[…]
Para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



                                    Carlos Drummond de Andrade
                                         (dezembro de 1997)

domingo, 4 de outubro de 2015

Dia Mundial do Animal 2015

O Dia Mundial do Animal foi criado em Itália em 1931, durante uma convenção de ecologistas e destina-se a celebrar todas as espécies de vida animal. Em todo o mundo são planeadas ações que apelam à proteção dos animais e protestam contra o tráfico e matança de espécies e abandono dos animais de companhia.
Lê para conheceres...
 
Agora, o nosso "pet"...

 
e um bonito poema de Fernando Pessoa:
 

Gato que brincas na rua
Como se fosse na ama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

 
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

 
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
 
Ainda podes requisitar na BE um dos seguintes livros...

 

 
 
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os livros

Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

        José Jorge Letria 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Três búzios da praia... ou não

O búzio de Luísa Ducla Soares

Pus um búzio da praia
na concha do meu ouvido.
Logo ouvi o mar chamar
muito longe, num gemido.

Ó mar, ó mar…

Peguei num búzio das águas
pousado ali na areia.
Ela guardava a canção
secreta de uma sereia.

Ó mar, ó mar…

É só um búzio das ondas,
todos o julgam vazio-
Mas eu viajo lá dentro
num sonho feito navio.

Ó mar, ó mar…


A voz do Búzio de Maria Isabel Mendonça Soares

Eu trouxe da praia
Um búzio bonito
Que tem um segredo
Em que eu acredito

Lá dentro escondido
Alguém a chamar…
Ponho-o ao ouvido
Escuto a voz do mar

O mar e o sol
E a praia inteira
Guardados num búzio
Na minha algibeira



O Búzio de Cós de Sophia de Mello Breyner Andresen

Este búzio não o encontrei eu própria numa praia
Mas na mediterrânica noite azul e preta
Comprei-o em Cós numa venda junto ao cais
Rente aos mastros baloiçantes dos navios
E comigo trouxe o ressoar dos temporais

Porém nele não oiço
Nem o barulho de Cós nem o de Egina
Mas sim o cântico da longa e vasta praia
Atlântica e sagrada
Onde para sempre a minha alma foi criada


domingo, 21 de junho de 2015

Primeiro dia de verão

Hoje, a primavera dá lugar ao verão.
Para assinalar o solstício de 21 de junho, que se traduz no primeiro dia de verão no hemisfério norte e na chegada do inverno ao hemisfério sul, aqui fica um  pequeno poema de Eugénio de Andrade:
 
É uma rosa amarela.
Uma rosa de verão.
Sempre uma rosa em botão
estava posta à janela.
Quem mora naquela casa
certamente que sabia
quanto essa rosa em botão,
seja branca ou amarela,
perfuma todo o verão.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Final de ano ambiental

Na última semana de aulas, onde se comemorou o Dia Mundial do Ambiente, a turma do 6º A aproveitou para dar um pequeno passeio pelas ruas da vila até ao Jardim Municipal e aí realizar as últimas leituras da aula de Português deste ano - poemas de Almeida Garrett, Luís de Camões, Florbela Espanca e outros poetas estudados ao longo do ano.

E como se estava mesmo no fim, só restava dizer...
 
Boas férias! Boas leituras!
 

segunda-feira, 30 de março de 2015

O limpa-palavras de Álvaro Magalhães


Ao longo da Semana da Leitura, "O limpa-palavras", de Álvaro Magalhães foi o mote para usar palavras, lê-las expressivamente, imaginar, pintar, sentir as palavras e... "palavra puxa palavra", dar-lhes cor, forma e aroma nas turmas do 5º ano e 4º ano da EB1 de Maçãs de D. Maria.
 
 
 

 
 
   










Aqui fica o texto:
 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dia dos Namorados


Para o Dia dos Namorados, duas sugestões de leitura:
  • As Mais Belas Cartas de Amor e Paixão (seleção e notas de Paulo Marques)

 
  • Poemas de Amor - Antologia de Poesia Portuguesa (organização de Inês Pedrosa)
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...
                     Fernando Pessoa
 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Atelier de construção de postais de Natal

Nos dias 10 e 11 de dezembro,  funcionou na Biblioteca Escolar um atelier de construção de postais de Natal aberto a todos os alunos que quiseram participar.
Com muita imaginação, criatividade e dedicação, sempre tendo em vista que os postais seriam para oferecer a alguém especial, os trabalhos elaborados este ano, superaram todas as expetativas pela sua qualidade estética e apresentação.
Estão, por isso, de parabéns os todos os artistas participantes.

 
Acrescenta-se, agora, para dedicar a toda a comunidade escolar, o poema mais escolhido pelos alunos:
 
CARTÃO  DE  NATAL
Escrevi
Um cartão de Natal
Dentro de mim.
Tenho-o presente
E (se puder)
Vou dá-lo a toda a gente.
Fiz-lhe um desenho
Leve e risonho,
Do tamanho do meu sonho.
E uma palavra só,
Aberta
Como uma flor
A responder
Na sua rima certa:
AMOR!
                    Maria Alzira Machado