Ainda e sempre...
De
quantas graças tinha, a Natureza
fez um belo e riquíssimo tesouro;
e com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na
pureza
do belo rosto as rosas, por quem mouro;
no cabelo o valor do metal louro;
no peito a neve em que a alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto
podia,
e fez deles um sol, onde se apura
a luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa
compostura
ela a apurar chegou quanto sabia
de ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Luís de Camões
Mas lembremos a primavera...
Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.

Sem comentários:
Enviar um comentário